quarta-feira, 22 de julho de 2009

Samba, a gente não perde o prazer de cantar...

"Eu canto samba porque só assim me sinto contente. Eu vou ao samba porque longe dele não posso viver". Quando Paulinho da Viola escreveu essa música ele sabia o que dizia. Vão dizer que o samba acabou, mas só quando o dia clareou.

O samba é um negócio inexplicável e não é à toa que tem forte relação com a religião. Dizem alguns que o samba era uma maneira de chamar as entidades, e não duvido. Quando o couro do pandeiro come, a cuíca geme e o cavaquinho malandro toca, ahhhh, o samba. Ele toma conta do corpo. Samba, o dono do corpo, escreveu Muniz Sodré. Ele também sabia das coisas.

Muita gente sabe muita coisa, mas o que eu sei é sobre o sentimento que o gênero carrega. Não sei. Rio loucamente quando o som vai alto, penetra nas entranhas e me sacode... E choro quando ele suavemente acaricia meu rosto, trazendo lembranças e melancolias que, muitas vezes, insiste em existir.

Gosto do samba apesar de às vezes achar que ele se perde. Perde na cerveja em excesso, no papo em demasia, na saudade desenfreada. Gosto dele assim, nu e cru, do jeitinho que veio ao mundo.

Prefiro em doses cavalares: noites e noites ouvindo do melhor, relembrando o futuro que não chegou e esquecendo o passado póstumo. Contudo, não me importo que venha em conta-gotas, o importante é que venha e preencha, em partes, a dor do amor – mote para outras tantas letras recitadas em noites de luar.

3 comentários:

Eduardo Ferreira disse...

"foi uma jura..."

é, essa entidade chamada samba, ainda me faz tremer nas bases.

Ataide disse...

Simpático..

Cineasta 81 disse...

Samba é coisa de gente bamba!

Que bom que voltou com o blog :D