Essa semana assisti Ensaio Sobre a Cegueira. O melhor filme dos últimos tempos, mesmo com críticas estapafúrdias, como a de um crítico britânico que chamou a obra de Meireles de “deprimente”. Saca nada esse cara.
Fernando Meireles se superou. Para quem não sabe, ele é o mesmo diretor de Cidade de Deus - pra mim, melhor filme da retomada cinematográfica brasileira.
Ensaio Sobre a Cegueira é baseado no livro homônimo de José Saramago (jornalista e poeta português, vencedor do Prêmio Nobel), que conta a história de uma cidade que é tomada por uma cegueira branca e os “contaminados” são deixados em um lugar à parte, jogados à própria sorte.
A partir daí os instintos humanos se sobressaem. O melhor e o pior. Solidariedade e crueldade. Respeito e violação. Para quem não viu corra ao cinema mais próximo. A única certeza é a inquietação após a película.
E Brasília também está sendo tomada por uma cegueira, só que cor-de-rosa. Nessa semana, o jornal Correio Braziliense escancarou o que a gente tá cansado de ver pelas madrugadas, por ali, nas redondezas do Hotel Nacional.
Meninas fazem sexo oral por R$ 3 e meninos são espancados, além de violados sexualmente. Todo mundo sabe que isso existe, mas parece que ler os detalhes dói mais. Ouvir deve ser pior ainda.
Mas essa cegueira não é exclusiva da capital federal. É uma epidemia espalhada pelo país todo.
Quando eu tinha uns 13, 14 anos, estava em alguma praia do nordeste. Conheci uma menina que devia ter a minha idade e conversamos bastante entre uma onda e outra. Ela era de lá e visualmente dava pra perceber que suas condições financeiras não eram das melhores.
Passado um tempo um homem branco, feio e barrigudo se aproximou. Com uma cara maliciosa ele começou a conversar com a menina que dava trela pro papo furado dele. Ela sumiu em questões de minutos. Ele também.
Depois das matérias do Correio um monte de político disse que vai fazer isso, o governo aquilo, mas eu quero só ver até quando vão durar essas mudanças. Já já a cegueira cor-de-rosa volta e tudo fica por isso mesmo.
E quando ela voltar o que faremos? Assim como no filme precisamos de alguém que nos guie. E sem dúvida, os únicos imunes a cegueira serão esses meninos e meninas que sofrem na pele a dor do descaso.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
A readaptação
Como é (e está sendo) cruel voltar ao marasmo da vida cotidiana. Depois de tanta coisa e de tanta história, é difícil olhar com meus novos olhos para o que continuou estático.
Eu amo muito minha cidade e tenho a leve sensação que sempre precisarei partir para poder voltar. Mas sempre, sempre mesmo, fico com uma angústia aqui no peito, quando piso no solo vermelho.
Outro dia tava num desses eventos de graça aqui em Brasília, quando uma ciranda foi formada. Cara, que saco. Detesto esse papo de ciranda. Sabe porque? Porque é uma grande roda de hipocrisia. Todo mundo lá dando as mãos e dizendo “ó somos irmãos, somos iguais”. Peraí! Só até um certo ponto. Até ali, com seus semelhantes de ideologias e de economia.
Porque quando o morador de rua, cheirando a cola, chega perto, a ciranda se fecha e ele se torna invisível? Porque fechamos o vidro do carro a cada vez que paramos em um semáforo? Porque a gente vive tantas contradições?
Esses e outros porquês me afligem, me questionam e me fazem querer partir mais uma vez.
Me sinto um peixe fora d’água.
Eu amo muito minha cidade e tenho a leve sensação que sempre precisarei partir para poder voltar. Mas sempre, sempre mesmo, fico com uma angústia aqui no peito, quando piso no solo vermelho.
Outro dia tava num desses eventos de graça aqui em Brasília, quando uma ciranda foi formada. Cara, que saco. Detesto esse papo de ciranda. Sabe porque? Porque é uma grande roda de hipocrisia. Todo mundo lá dando as mãos e dizendo “ó somos irmãos, somos iguais”. Peraí! Só até um certo ponto. Até ali, com seus semelhantes de ideologias e de economia.
Porque quando o morador de rua, cheirando a cola, chega perto, a ciranda se fecha e ele se torna invisível? Porque fechamos o vidro do carro a cada vez que paramos em um semáforo? Porque a gente vive tantas contradições?
Esses e outros porquês me afligem, me questionam e me fazem querer partir mais uma vez.
Me sinto um peixe fora d’água.
domingo, 7 de setembro de 2008
Parte 8 - Enfim, lá.

Machu Picchu
A superioridade inca
Enfim, o destino esperado. Após duas semanas viajando chegamos lá. Levantei três e meia da manhã e peguei um ônibus que sobre até Machu em 25 minutos. Esse percurso pode ser feito a pé e leva 1h30, mas como boa sedentária...
Ao sair do ônibus, “Cadê Machu Picchu?”. Calma...tem a fila (que é pequena nesse horário de 5h30), tem uma escadinha, tem um monte de coisa. E naquela bagunça de cadê a atração, pum! Surge a nova maravilha do mundo.
O primeiro momento não tem nada de comum, é como qualquer outro ponto turístico, com muita gente e com guias explicando as coisas e talz... Mas o tempo para meditação é imprescindível para quem quer sentir algo a mais lá. Foi o que eu fiz, mentalizei muito e senti muita coisa. Tem uma frase que achei num site que diz tudo: “Em Machu Picchu você não encontra o que você pensa que foi buscar, você encontra o que você precisa”. Pronto. Simples desse jeito.
A volta
Marcas inesquecíveis

A volta foi um batidão. No domingo, dia 27, saímos de Cuzco rumo à La Paz. O time estava reduzido já que umas cinco pessoas iam voltar de avião. Luxo ganho junto com infecções gastro-intestinais. Durante a viagem várias pessoas passaram mal com altitude, comida, água...Quem não teve se sentiu como ganhasse na mega-sena.
Atravessando a fronteira com a Bolívia, ali, quase em Copacabana, o grupo se dividiu. Muitos desistiram de encarar o ônibus e Trem da Morte e foram de avião até Puerto Quijarro. Pra quem ficou, restou muitas horas de viagem.
Em La Paz só tive 1 hora pro almoço, mas pensei “com táxi fica tudo bem”, certo? Errado. Na avenida principal, para ser mais exata, na frente da Igreja São Francisco, havia uma manifestação. Não sei de quem, mas era contra o Evo Morales (pra variar). Assim, quatro meninas descem correndo, rumo à Eli’s (restaurante melhor que o Dumbo’s) mais perto. Dois pedaços de pizza com coca-cola depois, volto a tempo para o terminal e para mais um caminho.
Sempre dá pra piorar. O bloqueio de La Paz tinha me injuriado um bocado, mas claro, tinha mais pela frente. Ainda faltavam 5 horas pra chegar em Cochabamba quando o ônibus pára. Um bloqueio de mineradores protestando contra o Evo (sempre) nos fez ficar parados por duas horas e meia em uma estrada escura, em um ônibus frio e sem banheiro.
Agora é Santa Cruz. São sete e meia da manhã quando chegamos lá, só que a previsão era para chegar às oito. Aêee! Pela primeira em toda viagem chegamos adiantados. Santa Cruz é muito quente e quase não chove nessa época do ano. Caía um toró na hora do desembarque. Coisas da viagem.
Chuva, frio e fome na Estação Ferroviária de Santa Cruz. Com pouquíssimos bolivianos (o dinheiro de lá) no bolso, fiquei ilhada na Estação... Pra passar o tempo, fiquei dormindo em chão frio (snif :~~) e tive que almoçar por ali mesmo, pra economizar a fortuna que eu tinha.
Quatro e meia da tarde: mais um Trem da Morte, só que dessa vez, durmi que nem um bebê.
Depois de uma ótima noite sono, chego em Puerto Quijarro, tomo um banho (coisa rara no fim da viagem) e pego o ônibus rumo ao Brasil. Nas malas, roupas bolivianas, artesanatos e fotos; no coração, uma saudade antecipada dos melhores momentos da minha vida.
A superioridade inca
Enfim, o destino esperado. Após duas semanas viajando chegamos lá. Levantei três e meia da manhã e peguei um ônibus que sobre até Machu em 25 minutos. Esse percurso pode ser feito a pé e leva 1h30, mas como boa sedentária...
Ao sair do ônibus, “Cadê Machu Picchu?”. Calma...tem a fila (que é pequena nesse horário de 5h30), tem uma escadinha, tem um monte de coisa. E naquela bagunça de cadê a atração, pum! Surge a nova maravilha do mundo.
O primeiro momento não tem nada de comum, é como qualquer outro ponto turístico, com muita gente e com guias explicando as coisas e talz... Mas o tempo para meditação é imprescindível para quem quer sentir algo a mais lá. Foi o que eu fiz, mentalizei muito e senti muita coisa. Tem uma frase que achei num site que diz tudo: “Em Machu Picchu você não encontra o que você pensa que foi buscar, você encontra o que você precisa”. Pronto. Simples desse jeito.
A volta
Marcas inesquecíveis
A volta foi um batidão. No domingo, dia 27, saímos de Cuzco rumo à La Paz. O time estava reduzido já que umas cinco pessoas iam voltar de avião. Luxo ganho junto com infecções gastro-intestinais. Durante a viagem várias pessoas passaram mal com altitude, comida, água...Quem não teve se sentiu como ganhasse na mega-sena.
Atravessando a fronteira com a Bolívia, ali, quase em Copacabana, o grupo se dividiu. Muitos desistiram de encarar o ônibus e Trem da Morte e foram de avião até Puerto Quijarro. Pra quem ficou, restou muitas horas de viagem.
Em La Paz só tive 1 hora pro almoço, mas pensei “com táxi fica tudo bem”, certo? Errado. Na avenida principal, para ser mais exata, na frente da Igreja São Francisco, havia uma manifestação. Não sei de quem, mas era contra o Evo Morales (pra variar). Assim, quatro meninas descem correndo, rumo à Eli’s (restaurante melhor que o Dumbo’s) mais perto. Dois pedaços de pizza com coca-cola depois, volto a tempo para o terminal e para mais um caminho.
Sempre dá pra piorar. O bloqueio de La Paz tinha me injuriado um bocado, mas claro, tinha mais pela frente. Ainda faltavam 5 horas pra chegar em Cochabamba quando o ônibus pára. Um bloqueio de mineradores protestando contra o Evo (sempre) nos fez ficar parados por duas horas e meia em uma estrada escura, em um ônibus frio e sem banheiro.
Agora é Santa Cruz. São sete e meia da manhã quando chegamos lá, só que a previsão era para chegar às oito. Aêee! Pela primeira em toda viagem chegamos adiantados. Santa Cruz é muito quente e quase não chove nessa época do ano. Caía um toró na hora do desembarque. Coisas da viagem.
Chuva, frio e fome na Estação Ferroviária de Santa Cruz. Com pouquíssimos bolivianos (o dinheiro de lá) no bolso, fiquei ilhada na Estação... Pra passar o tempo, fiquei dormindo em chão frio (snif :~~) e tive que almoçar por ali mesmo, pra economizar a fortuna que eu tinha.
Quatro e meia da tarde: mais um Trem da Morte, só que dessa vez, durmi que nem um bebê.
Depois de uma ótima noite sono, chego em Puerto Quijarro, tomo um banho (coisa rara no fim da viagem) e pego o ônibus rumo ao Brasil. Nas malas, roupas bolivianas, artesanatos e fotos; no coração, uma saudade antecipada dos melhores momentos da minha vida.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Parte 7 - O Peru!
Cuzco
A Capital do Império Inca
O “umbigo do mundo”, segundo os Incas, é um dos locais mais belos da viagem. Uma cidade cheia de Sol - com turistas de todos os cantos do mundo - colorem Cuzco.
No centro, encontramos la Plaza de Armas, ponto de encontro de gente de todo planeta que provavelmente vai para Machu Picchu. Cuzco tem diversos pontos turísticos bacanas, mas sem dúvida, o que marca a cidade é sua agitada vida noturna.
Ao chegar na Plaza de Armas acontece o impossível: as pessoas oferecem drinks de graça caso visite a casa noturna delas. E assim começa a peregrinação de boate em boate. Normalmente, os drinks oferecidos são os clássicos Cuba Libre e Vodka com Sprite. O melhor lugar, na minha opinião foi o Mama África (mesmo com as músicas repetitivas). Há outros muito bons espalhados pela praça, tem gosto que agrada rock, reggae, pop é só escolher!
Em Cuzco, o pessoal começa a se preparar para a trilha. Mantimentos como biscoito, chocolate e água são fundamentais. Quem encara a caminhada de 4 dias só curte a capital Inca um pouquinho, mas eu, que fiquei lá mais tempo, tava quase me sentindo da terra. Andei pelas ruas sozinha e conheci uns lugares bem legais. Cuzco tem essa vantagem: por ser umbigo do mundo, acolhe todos, com muito carinho.
“A trilha”
Simbólica
Minha trilha foi simbólica.E como havia dito antes, escolhi a de dois
A caminhada começa e só são três horinhas e meia debaixo do sol quente. Enquanto isso, o pessoal da outra trilha tá no seu terceiro dia de trilha, com direito a muito frio e bolhas nos pés.
Mas bem, nós, passamos pelas Salinas de Maras, um lugar belíssimo, em que mais de 400 salinas estão em atividade. O sal brota da terra. Coisa que só dava pra ver no Peru.
Lá de cima das Salinas já dava pra ver o Vale Sagrado dos Incas. Sagrado, pois era muito fértil, graças ao rio Urubamba (que pode ser visto lá de Machu Picchu também).
Depois de um almoço delicioso (coisa rara) vamos para Ollantaytambo, um pequeno vilarejo em que as ruínas são destaque e de lá pegamos um trem, rumo à Águas Calientes, cidadezinha que está nos pés da montanha. É lá que os turistas, rumo à cidade perdida, dormem e se alojam. Águas Calientes é minúscula e até charmosinha; suas ruelas e albergues com ar de interior deixam a gente em casa...
próximo capítulo: enfim, Machu Picchu.
*imagens: maíra brito
domingo, 31 de agosto de 2008
Parte 6 - O lugar mais lindo do mundo
Copacabana
Um presente de Deus
A chegada em Copacabana foi a melhor sensação da viagem. Uma cidade pequena, iluminada de Sol e com o lago mais azul do mundo. Um sentimento de paz vai enchendo a alma e todos os perrengues que até então tinham surgido desapareceram. Copacabana é pura tranqüilidade.
E é de lá que saem os passeios para a Isla del Sol e para a Isla de la Luna, as principais ilhas das 41 existentes no Lago Titicaca.
Conheci a Ilha do Sol e sem dúvida é um lugar mágico. Logo na chegada, entramos em um templo em que desejos são feitos ao soprar uma folha de coca. Caminhadas, Sol quente e vento frio até chegar no fim do passeio, lá na base da ilha, com uma fonte em que a água dizem rejuvenescer. Ao lavar o rosto três vezes com aquela água pensamentos ruins vão embora deixando espaço para as energias positivas. A ilha sagrada dos Incas é assim, do começo ao fim magia e bons fluidos por todo lugar que se passa.
Em Copacabana, há o Morro do Calvário. Ele está há mais de quatro mil metros acima do mar
e de lá é possível ver toda a cidade. Eu subi o tal do morro, mas não sei onde estava com a idéia quando fiz isso.
Tenho muito medo de altura, mas mesmo assim resolvi encarar a subida, que estava tranqüila até sentir que era alta demais. Por três vezes pensei em parar, na última, quase no topo eu pensei “desisto”. Tremendo, sentei em uma rocha e fiquei lá, decidida a não subir mais. Foi quando surgiu alguém com o nome mais apropriado impossível: Rafael. Esse companheiro de viagem com nome de anjo, foi quem me ajudou a chegar até o topo e deixar de lado muito medo.
O Rafa com palavras de apoio começou a me incentivar dizendo que eu ia conseguir subir tudo, que ia superar meu medo e que seria uma vitória minha. “Olha Mamá, olha o presente que Deus fez pra gente, vamos contemplar”, disse ele. E assim caí no choro, emocionada com tantas palavras bonitas, emolduradas pelo Sol indo embora. Subi o pouco que faltava e admirei como ninguém aquele pôr-do-sol com o Titikaka como protagonista. A visão mais linda e mais forte de toda viagem.
O Lago Titikaka - maravilla del mundo, como diriam os nativos de lá - com seus 8.500 km² é o lago navegável mais alto do mundo. E o mais bonito também.
Um presente de Deus
A chegada em Copacabana foi a melhor sensação da viagem. Uma cidade pequena, iluminada de Sol e com o lago mais azul do mundo. Um sentimento de paz vai enchendo a alma e todos os perrengues que até então tinham surgido desapareceram. Copacabana é pura tranqüilidade.
E é de lá que saem os passeios para a Isla del Sol e para a Isla de la Luna, as principais ilhas das 41 existentes no Lago Titicaca.
Conheci a Ilha do Sol e sem dúvida é um lugar mágico. Logo na chegada, entramos em um templo em que desejos são feitos ao soprar uma folha de coca. Caminhadas, Sol quente e vento frio até chegar no fim do passeio, lá na base da ilha, com uma fonte em que a água dizem rejuvenescer. Ao lavar o rosto três vezes com aquela água pensamentos ruins vão embora deixando espaço para as energias positivas. A ilha sagrada dos Incas é assim, do começo ao fim magia e bons fluidos por todo lugar que se passa.
Em Copacabana, há o Morro do Calvário. Ele está há mais de quatro mil metros acima do mar
Tenho muito medo de altura, mas mesmo assim resolvi encarar a subida, que estava tranqüila até sentir que era alta demais. Por três vezes pensei em parar, na última, quase no topo eu pensei “desisto”. Tremendo, sentei em uma rocha e fiquei lá, decidida a não subir mais. Foi quando surgiu alguém com o nome mais apropriado impossível: Rafael. Esse companheiro de viagem com nome de anjo, foi quem me ajudou a chegar até o topo e deixar de lado muito medo.
O Rafa com palavras de apoio começou a me incentivar dizendo que eu ia conseguir subir tudo, que ia superar meu medo e que seria uma vitória minha. “Olha Mamá, olha o presente que Deus fez pra gente, vamos contemplar”, disse ele. E assim caí no choro, emocionada com tantas palavras bonitas, emolduradas pelo Sol indo embora. Subi o pouco que faltava e admirei como ninguém aquele pôr-do-sol com o Titikaka como protagonista. A visão mais linda e mais forte de toda viagem.
O Lago Titikaka - maravilla del mundo, como diriam os nativos de lá - com seus 8.500 km² é o lago navegável mais alto do mundo. E o mais bonito também.
próximo capítulo: A capital inca e a trilha simbólica
*imagem: maíra brito
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Parte 5 - La Paz
Cochabamba à La Paz
Os efeitos da altitude
Mais de seis horas de ônibus e chegamos na capital boliviana. La Paz está a 3.660 metros de altitude e é muito seca e fria no inverno. Mas antes da chegada, mais emoção.
A mata que marcou o caminho para Cochabamba vai sumindo e se torna montanhas secas, com muita poeira e pedra. Antes de sair daqui, sabia que a altitude poderia causar alguns sintomas, mas não esperava sentir todos. Taquicardia, tontura e nariz sangrando. Chegar no hotel foi um alívio.
La Paz
Prédios, outdoors e buzinas
Nuestra Señora de La Paz é o verdadeiro nome da capital da Bolívia. Cidade que lembra uma São Paulo mais caótica. Tudo lá é muito intenso. Há muitos prédios altos – coisa que não havia visto desde então; muitos outdoors - colorindo e enfeiando a cidade e buzina, pra tudo.
La Paz é uma cidade como qualquer outra capital e por isso é mais agitada. A noite foi uma das melhores da viagem (claro, perdeu pra Cuzco) e o tempo todo tem gente na rua. Gente, carro, mais carro e mais gente. Basicamente isso.
Pertinho da capital está Tiwanaku, um sítio arqueológico considerado patrimônio da humanidade e de extrema importância para a história da América Latina. Na verdade, do mundo todo. Nesse sítio viveu uma civilização de mesmo nome, anterior aos Incas e muito sábios. Os Tiwanaku tinham avançadas técnicas de astronomia, o que torna o passeio mais cheio de informações e mistérios. Imprescindível no roteiro Bolívia-Peru.
Os efeitos da altitude
Mais de seis horas de ônibus e chegamos na capital boliviana. La Paz está a 3.660 metros de altitude e é muito seca e fria no inverno. Mas antes da chegada, mais emoção.
A mata que marcou o caminho para Cochabamba vai sumindo e se torna montanhas secas, com muita poeira e pedra. Antes de sair daqui, sabia que a altitude poderia causar alguns sintomas, mas não esperava sentir todos. Taquicardia, tontura e nariz sangrando. Chegar no hotel foi um alívio.
Prédios, outdoors e buzinas
Nuestra Señora de La Paz é o verdadeiro nome da capital da Bolívia. Cidade que lembra uma São Paulo mais caótica. Tudo lá é muito intenso. Há muitos prédios altos – coisa que não havia visto desde então; muitos outdoors - colorindo e enfeiando a cidade e buzina, pra tudo.
La Paz é uma cidade como qualquer outra capital e por isso é mais agitada. A noite foi uma das melhores da viagem (claro, perdeu pra Cuzco) e o tempo todo tem gente na rua. Gente, carro, mais carro e mais gente. Basicamente isso.
Pertinho da capital está Tiwanaku, um sítio arqueológico considerado patrimônio da humanidade e de extrema importância para a história da América Latina. Na verdade, do mundo todo. Nesse sítio viveu uma civilização de mesmo nome, anterior aos Incas e muito sábios. Os Tiwanaku tinham avançadas técnicas de astronomia, o que torna o passeio mais cheio de informações e mistérios. Imprescindível no roteiro Bolívia-Peru.
próximo capítulo: Copacabana. E não é a princesinha do mar. he he he
*imagens: maíra brito
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Parte 4 - Cochabamba
Santa Cruz à Cochabamba
Uma miséria compartilhada
Se eu estava achando o Trem da Morte ruim era porque eu não tinha visto nada ainda. Nesse caminho que deveria ter sido o tranqüilo, afinal é só uma estrada, foi o mais tenso de todos. Pegamos um ônibus que apelidamos de “O Ônibus da morte”, porque ele era muito³ pior que o Trem da Morte.
A começar pela própria estrutura: o tal do ônibus não tinha banheiro. Agora me explica, como eu faço esse trajeto – de mais de 12 horas – sem banheiro? Ah, isso porque ainda tinha a parada pro “almoço”. Simbólico, como qualquer outra coisa na Bolívia.
Pense num lugar sujo, agora pense num lugar que cheira a urina, agora pega isso e misture com um lugar em que as pessoas botam a comida no prato com a mão. Justamente. Era assim lá. Foi a experiência mais louca minha vida, pois ao mesmo tempo que era desesperador ver tanta miséria espalhada, era aliviador pensar na minha situação.
Todos os dias aqui no Brasil eu via a pobreza, mas lá na Bolívia era diferente: eu compartilhava da pobreza. Eu tava ali, como qualquer outro, só uma opção de almoço, mas ainda sim eu estava em vantagem: tinha o luxo de ter cream creaker e pode pagar por uma coca-cola. Loucura. Experiências.
Cochabamba
A cidade de nome engraçado
Cochabamba tem um nome engraçado e é a terceira maior cidade boliviana. Tem um Cristo (de la Concórdia) quatro metros mais alto que o nosso, e que foi construído pela Petrobrás. Lá de cima (da base do Cristo mesmo) é possível ver a cidade, bem pequeninha.
A cidade também tem uma feira super-bacana com vários produtos artesanais, onde a gente fez a festa. Ponchos, casacos típicos, mantas e touquinhas fizeram parte dos nossos achados.
Agora um Momento História – Foi em Cochabamba em que nasceu o famoso Simon I. Patiño. É, talvez você nunca tenha escutado esse nome, mas sem dúvida já ouviu falar no Tio Patinhas. Pois é, foi esse boliviano, magnata do estanho, que inspirou Walt Disney para criar seu milionário personagem. Patiño veio de uma família humilde, mas depois de encontrar estanho em terras que possuía, se tornou um dos homens mais ricos do mundo. Riqueza que pode ser vista em sua casa, que hoje é a Fundação Simon I. Patiño. As fotos dentro da casa são proibidas, por isso vale a pena “perder” um tempinho e conhecer esse pedaço da história.
Uma miséria compartilhada
Se eu estava achando o Trem da Morte ruim era porque eu não tinha visto nada ainda. Nesse caminho que deveria ter sido o tranqüilo, afinal é só uma estrada, foi o mais tenso de todos. Pegamos um ônibus que apelidamos de “O Ônibus da morte”, porque ele era muito³ pior que o Trem da Morte.
A começar pela própria estrutura: o tal do ônibus não tinha banheiro. Agora me explica, como eu faço esse trajeto – de mais de 12 horas – sem banheiro? Ah, isso porque ainda tinha a parada pro “almoço”. Simbólico, como qualquer outra coisa na Bolívia.
Pense num lugar sujo, agora pense num lugar que cheira a urina, agora pega isso e misture com um lugar em que as pessoas botam a comida no prato com a mão. Justamente. Era assim lá. Foi a experiência mais louca minha vida, pois ao mesmo tempo que era desesperador ver tanta miséria espalhada, era aliviador pensar na minha situação.
Todos os dias aqui no Brasil eu via a pobreza, mas lá na Bolívia era diferente: eu compartilhava da pobreza. Eu tava ali, como qualquer outro, só uma opção de almoço, mas ainda sim eu estava em vantagem: tinha o luxo de ter cream creaker e pode pagar por uma coca-cola. Loucura. Experiências.
Cochabamba
A cidade de nome engraçado
Cochabamba tem um nome engraçado e é a terceira maior cidade boliviana. Tem um Cristo (de la Concórdia) quatro metros mais alto que o nosso, e que foi construído pela Petrobrás. Lá de cima (da base do Cristo mesmo) é possível ver a cidade, bem pequeninha.
A cidade também tem uma feira super-bacana com vários produtos artesanais, onde a gente fez a festa. Ponchos, casacos típicos, mantas e touquinhas fizeram parte dos nossos achados.
próximo capítulo: o árido percurso entre Cochabamba e La Paz
*imagem 1: sheyla. imagem 2: maíra brito
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