terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O olhar

Ao perguntar o que ele mais gostava nela ele não soube responder. Olhou um tempo para seu rosto e respondeu "o olhar". O olhar? Porque ele?

A mãe ao explicar a beleza da filha, certa vez disse que os olhos dela eram muito bonitos, por serem sinceros, por passarem exatamente o sentimento dela.

Uma vez ele viu um olhar apaixonado e o tomou para si. Era apaixonado sim, mas não era para ele.

sábado, 5 de janeiro de 2008

É som de Preto


Sexta é dia de samba. Na verdade essa foi minha máxima durante tempos, e se repetiu na primeira sexta do ano. Brasília é uma cidade novinha com espírito de velho: poucas festas, e quando tem, são clichês ou caras demais, daí sobra o bar, já que nem tem mar.

O Arena dá um puto estudo antropológico. Estudo antropológico dos próprios antropólogos. É um mar de estudantes da UnB metidos a super-cool ou a PIMBA mesmo. Super interessados em cultura popular lá estão eles ouvindo Elis Regina e Chico Buarque e jurando que entendem de samba. Se tocar Vinícius de Moraes é o ápice. Pô, confesso que gosto de tudo isso, inclusive dos clássicos que sempre rolam: Madalena, Aquarela do Brasil e Flor de Lis [que nem samba é]. Nossa, dava pra fazer um Arena Hits, porque em qualquer evento que seja, há de ter as mesmíssimas músicas.

Pois bem, na falta de fazer lá estava eu, de novo, curtindo o que a pretaiada [mas uma brancaiada também] chamaria de “Samba de Branco”. Pode soar preconceituoso, mas não é não. Nesse gênero estão os sambas acalmados pelo mundo acadêmico. “Samba de Preto” é diferente e quem gosta sabe. Engraçado lá no Arena quando cantou Martinho da Vila ninguém soube cantar. Porque será?

Pois é, Martinho, Zeca, Beth, Almir Guineto, Fundo de Quintal, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, esse pessoal todo aí, adeptos ao Partido Alto, cantam o famoso Samba de Preto, criado informalmente ao longo dos tempos. Essa galera canta um samba mais batucado, sincopado, mais preto, com elementos da cultura negra que se ouvidos aleatoriamente, serão imperceptíveis. Mas não é difícil perceber os pontos de macumba em algumas músicas do Zeca ou a realidade da mulher da periferia expressada por Martinho quando ele “pede” pra cuidar do nêgo que chegou de porre da boemia, basta procurar.

Soul Seek, E mule, Discografias no Orkut e muitos outros estão na aí na net pra mostrar tudo que há de música mundial. Recomendo um tempo pro Samba de Preto, já que com som de preto ninguém fica parado.

*Imagem: Detalhe de Dança, de Heitor dos Prazeres

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Fique à vontade

Bem-vindo Ano Novo! Pode chegar e ficar à vontade! Aceita uma champanhe? Uma cerveja? Ah! Tá...regime né? Sei como é: todo ano é isso, as promessas de regime. Mas não duram muito não, ficam por aí, no máximo até o Carnaval. E aí 2008, o que me conta de bom? Sim, sim Paz, Amor , Saúde, Prosperidade....os votos de sempre; mas será que são sempre verdade? É, se você nem sabe, quem vai saber?

Mais um ano surge e pede passagem. 2008, ano 1 na numerologia, regido por Marte e com proteção de Oxalá e Ogum. Mas no final das contas é, na verdade, um recomeço, para todos nós. Nessa época surgem promessas, crenças, esperanças, mas me pergunto: porque tanta espera o Ano Novo se muitas vezes ele é motivo de lágrimas. Nem sempre são de alegrias; vejo tanta mágoa e tanto rancor por aí...

Toda virada eu quase choro, principalmente se eu estiver com a família. Vejo a luta de permanecer de cada um e me orgulho de ser um deles. A luta fica mais saborosa quando nada que você conseguiu caiu do céu.

Pois bem, desejo um ano novo realmente novo, sem tristezas, sem mágoas, com mais perdão e alegria; desejo a paz, o bem, não vendo a quem; desejo mais fraternidade e menos egoísmo. Que a promessa para 2008 seja ser um ser humano melhor.

Feliz ciclo novo.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Nova chance

Toc toc toc, tem alguém aí? O último que sair de Brasília apaga a luz.

Como de praxe, não sobrou ninguém na ilha, só eu e meia dúzia de gatos pingados. Então escrevo para os sobreviventes: há uma chance de rever Noel!!!! Mas não o Papai Noel [hehehe - piada sem-graça, típica da minha mãe].

Terça-feira, a Rede Globo vai reprisar o especial Noel Rosa. Será uma série de reapresentações dos programas do Som Brasil que rolaram em 2007, e pra variar e não perder o hábito, os programas devem ir depois do Jornal da Globo. Ou seja, supeeeer tarde.

Pra quem não vao fazer nada, tá aí a dica. [Mas será que alguém vai ler esse trem em plenas férias?].

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Então é Natal

Desde ontem ensaiei palavras para escrever aqui, mas daí surgiu a preguiça típica das férias. Mas juro, vou me esforçar para postar pequenos negritos.

Natal pra um monte de gente é alegria, é rever gente distante, é ganhar presente. Pra outros é tempo de cultivar lembranças amargas e forçar sorrisos simpáticos.

Apesar dos pesares, de um tempo pra cá, penso que o Natal é tempo de ver minha família unida e vê-la rindo, apesar dos perrengues cotidianos.

Ontem eu fui à missa. Não costumo fazer isso, mas por algum motivo fui. Fui agradecer as coisas boas e ruins desse 2007 que tá quase acabando. Natal é isso também: tempo de renovar a fé e praticar o religare.

Natal é tempo de Roberto Carlos e de especiais toscos da Globo, é tempo de comer muito e trocar roupas em lojas. Natal é a esmola aliviadora e a culpa persistente.

O Natal virou um homem branco e gordo com uma roupa e um saco vermelhos. Natal, na verdade, pode ser o tempo de praticar a paz e semear o amor.

Feliz Natal.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Brasília, traço do arquiteto


Niemeyer faz 100 anos hoje. Existe uma piada que diz que ele, Dorival Caymmi e Dercy Gonçalves são pra sempre. Tô quase acreditando nisso.

Oscar Niemeyer nasceu no Rio de Janeiro e se formou na Escola Nacional de Belas Artes, saiu de lá engenheiro arquiteto e ficaria conhecido pela sua marca principal: o concreto armado.

Le Corbusier foi um arquiteto de extrema importância para Niemeyer. Os princípios da nova arquitetura do francês influenciaram o carioca e Brasília mostra isso como ninguém. A Construção sobre pilotis, o Terraço-jardim, a Planta livre da estrutura, a Fachada livre da estrutura e a Janela em fita são prosaicas para o pessoal do cerrado.

Quem nunca brincou de baixo do prédio? Ou percebeu que os telhados dos prédios do Plano Piloto são lajes lisas, abertas, sendo possível caminhar por elas? E que o Sol sempre bate de manhã nos quartos maiores e de tarde nos quartos menores de cada prédio?

Na 3ª série estudei Brasília. Nunca me apaixonei tanto pela minha cidade como naquela época. Minha ilha quadrada...Concreta. Concreto. Bem Niemeyer.

Há uns 10 anos atrás, em um ônibus que fazia o trecho Araxá-Brasília, ouvi uma senhora explicar para sua neta como era Brasília. “Brasília é diferente de tudo o que você já viu na sua vida”, ela disse; e estava certa. Apesar da Igreja da Pampulha, da Mesquita em Argel e do Partido Comunista Francês, sem dúvida, tudo o que Niemeyer fez em Brasília foi o seu melhor.

Uma Catedral em forma de cálice, um museu lembrando Saturno, entre todas as outras belezas daqui, são coisas tão Niemeyer e tão nossas... Muitos reclamam da escassa funcionalidade de suas obras, ele nega a crítica, e no fundo, a gente até se acostumou com isso.

Os anos do centenário arquiteto, pra mim, poderiam se resumir nos, 4 ou 5, em que a capital foi construída. Apesar dos pesares, ele acertou em cheio.

Gosto tanto dela assim.
*Imagem: Google

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Fins dos tempos

Terror e pânico. Acabo de sair dos tópicos da comunidade UnB – Universidade de Brasília. Com o perdão da palavra, só merda.

Um tópico mais imbecil com outro, cheios de asneiras. Um vem o papo de “ah porque cotas para negros é injusto, só negro rico entra na UnB” e blá blá blá. Aquele discurso fraco que já conhecemos. Nem me dou o trabalho de repetir minha posição, falada [escrita] aqui zilhões de vezes.

Outro vem dizer do Dia da Consciência Branca. Putz, como uma pessoa dessa passa no vestibular “da melhor instituição de Ensino Superior de Brasília”? Aí sempre tem um erro para usar o exemplo da camisa 100% branco. Já disse: quando você é o opressor isso se torna mais totalitário ainda; sendo negro, oprimido, isso serve de bandeira e resistência. Resistência como o “Orgulho Negro”. No mesmo tópico, alguém diz que é errado o Movimento Negro pregar o Orgulho Negro, já que não existem raças e blá blá blá.

Repito: o racismo só pode ser combatido se as diferenças forem assumidas. Raça pode até não existir, mas as diferenças étnicas existem, e são elas, que não são aceitas pelas sociedades.

Ler o mar de asneiras escritos pelos estudantes da UnB me assusta e me revolta. É o fim.